12º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design

UEMG; Una — Belo Horizonte (MG)

Novembro/2016

Artefatos Deslocados: Entre a Necessidade e o Espetáculo

Como citar

Nicoletti, Viviane Mattos; Santos, Maria Cecilia Loschiavo dos; "Artefatos Deslocados: Entre a Necessidade e o Espetáculo", p. 3869-3878. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 12., 2016, Belo Horizonte. Anais [...]. São Paulo: Blucher, 2016

Resumo

O artigo a seguir introduz o debate sobre o deslocamento da cultura material de seu contexto originário de produção para uma sociedade que, para atender aos seus próprios anseios, apropria-se e atribui-lhe um novo significado. Trata-se especificamente de situações em que objetos artesanais, produzidos para suprir necessidades rotineiras de um povoado, são deslocados para um contexto, no qual perdem sua função prática original e assumem um lugar de desejo e fascinação, tornando-se objetos de espetáculo junto a mercados essencialmente urbanos. Para tanto, procura-se entender os mecanismos de articulação que viabilizam esse deslocamento. Eles são construídos a partir do discurso da sociedade de consumo, através de seus meios de afirmação como a publicidade e matérias em revistas especializadas, e recorre, sobretudo, a moral dos consumidores. Mas antes de oferecê-los, posicionam-os estrategicamente dentro da lógica do mercado através da figura e do trabalho do designer que faz as intervenções necessárias para a inserção desses artefatos em circuitos de comércio urbanos. O ponto central para o entendimento desse deslocamento é a relativização do conceito de necessidade que se define de diferentes maneiras de acordo com a sociedade em pauta.
Palavras-chave:

resignificação, artesanato, cultura material, sociedade de consumo, design

Abstract

The following article introduces the debate about the displacement of material culture from its original context to a society that, to fulfill its own desires, appropriates and embeds it with a new meaning. Specifically in situations where handmade objects, produced to meet routine needs of a village, are moved to a context in which they lose their original function to assume a place of desire and fascination, becoming a remarkable display of objects in an essential urban market. Therefore, we seek to understand the social mechanisms that enable this shift. They are built using a consumer society discourse, endorsed through advertisement or specialized magazines articles, with a strong appeal to the consumer morale. But before offering them, they are strategically promoted using the logic of the market through the figure and work of a designer that makes the necessary interventions for the inclusion of these devices in an urban trade circuit. The main point to understand this displacement is the relativistic concept of necessity that is

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